“La Boca” é o street food da carne argentina

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O projeto de street food La Boca centra-se num único produto – a picanha argentina, “chicha muy buena” que não se encontra facilmente pelas ruas de Lisboa. No entanto, o negócio familiar de António, Isabel e Filipa Sapeira tem vindo a percorrer, desde há dois anos, os maiores festivais e iniciativas gastronómicas da capital, fazendo chegar esta iguaria tanto aos que a desconheciam como aos que sabem perfeitamente ao que vão. A carrinha decorada com os motivos e cores garridas característicos da rua La Boca, em Buenos Aires, é fácil de identificar no meio de um mar de food trucks.

A primeira tentativa de abrir um restaurante foi em Madrid, mas o negócio correu melhor em solo nacional, quando António Sapeira decidiu seguir o exemplo espanhol e importar carne argentina para o seu restaurante em Magoito, o Vaca Argentina. Apesar do grande sucesso que teve, o espaço perdeu, com a crise, as receitas que cobriam os custos de aquisição e transporte da carne para Portugal. Assim, e observando as novas tendências gastronómicas da capital, António decidiu abrir um negócio de street food, mantendo a relação com o fornecedor de carne importada argentina, que agora chega congelada.

Nas carrinhas confecionam-se pregos de picanha, hamburgers e empanadas acompanhadas com o molho chimichurri. A tradição argentina é respeitada, e o menu ligeiramente adaptado ao gosto português – o molho pode ou não ter picante, as empanadas são fritas e recheadas com carne cortada em pequenos cubos. O hamburguer destaca-se por ser feito com picanha temperada, mas o prego é a iguaria mais procurada. Ambas as opções são acompanhadas de pão de mafra. “O português gosta de pão”, justifica António Sapeira. O vinho começou por ser argentino, mas foi entretanto substituído pelo português, mais em conta.

As três carrinhas “La Boca” (uma delas é um tuk-tuk), já marcaram presença no Estoril Open, NOS Alive, Super Bock Super Rock, Web Summit, entre muitos outros eventos nacionais. “Este ano estamos a tentar selecionar melhor os eventos a que vamos. Já tivemos diversas experiências e algumas correm melhor que outras”, explica António Sapeira. Apesar de ter muitos clientes portugueses, afirma que há mais afluência por parte de estrangeiros: “Trabalhamos muito com o turismo. No Web Summit riem-se dos nossos preços”, comenta.

“Para além de festivais, fazemos festas de empresas, aniversários, casamentos… A parte boa é que, tendo rodas, chegamos a todo o lado”, lembra Filipa Sapeira. “Já chegámos a montar um stand num rooftop para uma empresa. Não tem a mesma magia da food truck, mas a comida é a mesma. Onde conseguirmos chegar, nós vamos”, assegura.

A família está satisfeita com o formato street food: “Não queremos um restaurante. Tivemos um espaço para 125 pessoas e foi uma dor de cabeça”, afirma António, que se auto-intitula como o “apaga-fogos” do negócio ao qual se dedica agora a tempo inteiro.

Projetos para o futuro? Gostariam de ter um ponto fixo em Lisboa para venda. “Fizemos o fim de ano na Praça do Comércio e correu muito bem, mas os preços são impraticáveis naquela zona. A verdade é que somos solicitados constantemente. Perguntam-nos onde podem comer um dos nossos pregos em Lisboa, e, por isso, devíamos ter um ponto fixo”, explica António Sapeira.