Jorge Plácido Simões: “A América Latina é um desafio pessoal”

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Jorge Plácido Martins Simões é administrador de uma das maiores empresas de mármore portuguesas – Plácido José Simões S.A., que iniciou a sua atividade, em Borba, há 52 anos. Uma empresa que reflete a história de toda uma região. Uma história dura, de quem também apostou na internacionalização na América Latina há mais de 20 anos, em mercados como Brasil, Chile e Peru.

Tem vindo investir na internacionalização para a América Latina. Há quantos anos está a Plácido José Simões S.A. na região?

Já passaram 20 anos desde a primeira vez que fui à América Latina. Fizemos uma feira em Santiago do Chile, que acabou por se realizar durante três anos consecutivos. Depois parei, por não obter  resultados relevantes neste mercado, voltando apenas há cinco anos atrás. Já estamos estabelecidos neste mercado, apesar de não como gostaria, mas estamos a começar a crescer e a vender. São mercados muito competitivos.

Está também no Peru e no Brasil…

No Brasil já estamos há alguns anos também. Neste momento, o mercado do Brasil parou um pouco, a economia está mais parada. No Peru visitámos uma feira de materiais de construção, na qual fiz alguns contactos, mas ainda não obtive resultados de vendas até à data. Gostaria de o conseguir, e estou a planear uma viagem tanto ao Chile como ao Peru, no sentido de visitar potenciais clientes porque acredito no potencial destes países.

Como se deu o processo de internacionalização? Que tipo de apoios foram relevantes?

Falei no Peru, e nessa ocasião fui a convite da Casa da América Latina, através de um evento organizado no Banco Montepio com o apoio da Promperu e de Juan Luis Kuyeng, o Conselheiro Comercial da Embaixada do Peru na altura. Foi através desse apoio do Governo peruano que participei nesse evento, deslocação e alojamento oferecidos, tudo muito bem organizado. No Chile foi diferente, a AICEP convidou-nos para uma feira de produtos portugueses. Fiz essa feira durante dois anos com esta organização, e no terceiro já fui a título individual. É nesta vertente é a empresa que assume todos esses custos e não são poucos.

Só faz exportação no Chile? Ou também compra?

Neste momento só exportamos os nossos materiais. Isso pode mudar no futuro. Uma das razões pelas quais fui ao Peru foi para ver se havia materiais peruanos que tivessem interesse para os nossos mercados, porque a nossa empresa exporta 98% para todo o mundo. Não vendemos apenas materiais portugueses, mas também oriundos de outros países. Uma das intenções da ida ao Peru foi exatamente essa, considerar a possibilidade de importar de lá para os países aos quais já exportamos os nossos materiais portugueses. Trabalho em complementaridade.

Esses países para os quais exporta situam-se maioritariamente no Médio Oriente?

Sim, maioritariamente, mas também na Europa e Austrália.

Que tipo de infraestruturas ou investimentos compõem o foco da procura pelos mármores da Plácido José Simões S.A. na América Latina?

Para o Chile exporto para empresas que compram o produto semi-acabado para ser por elas trabalhado. E estas empresas é que vendem diretamente ao consumidor final. No Brasil também é assim, apesar de já ter vendido também material completamente acabado, que vai diretamente para a obra. Mas o normal é vender a quem já tem lá as fábricas, bem como as lojas.

E qual é o consumidor final?

Na América Latina, o objetivo final da venda são construções de casas particulares, bem como algumas para obras já com uma certa dimensão. Hotéis, apartamentos…

A Plácido José Simões S.A. já iniciou a sua atividade há 52 anos. É uma atividade que envolve custos de produção altos…

Sim, bastante. Não é um mercado fácil.

 

E existe uma grande concorrência lá fora…

Muito grande. Há uns anos atrás tínhamos três ou quatro países produtores de mármores. Hoje em dia qualquer país tem mármores, e isso significa que existe uma grande concorrência em qualquer país para o qual exportemos. Ou são produtos que o arquiteto escolhe especificamente (um mármore português, ou rosa, ou creme… ou claro), caso contrário, há inúmeras alternativas. Antigamente só existia a concorrência dos italianos, dos espanhóis… Hoje em dia temos uma grande concorrência dos materiais turcos. Qualquer país é produtor de pedra, podendo fornecer a procura nacional.

 O fator de distinção dos mármores que produz é a tipologia dos materiais? Ou existem outras características a salientar?

O fator diferenciador é a qualidade da pedra portuguesa, que é bastante boa em termos de estrutura, cor e dureza. É uma pedra 100% natural, enquanto que existem outras pedras que necessitam de tratamentos (de colas, de redes…) para não se partirem. A nossa pedra não inclui adições artificiais. É polida e é exportada – e esta é das grandes mais-valias que a nossa pedra tem.

Este investimento na América Latina, no qual tem apostado nos últimos anos é significativo em relação a outros? A procura tem vindo a aumentar?

Neste momento não é muito significativo. Queremos aumentar a percentagem de exportação para a região, porque procuramos sempre novos mercados, de forma a não estarmos sempre dependentes dos mesmos. A América Latina é um desafio pessoal de tentar captar novos clientes, em países como aqueles que mencionei, bem como na Colômbia, por exemplo. No Brasil é mais difícil, pela sua dimensão, bem como pela sua instabilidade. Estou sempre à procura de novos mercados na região. Vamos continuar a trabalhar nesse sentido.