Empanaderia El Pibe: A personificação da empanada argentina

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Rodrigo Pereira, Gonçalo Almeida e Tomás Fevereiro são três lisboetas que se apaixonaram pela gastronomia latino-americana. Tudo começou quando visitaram diversos países da América do Sul (Mochilão) há cerca de 10 anos atrás. Provenientes de áreas académicas diversas, estes três amigos, ao provar a empanada argentina, pensaram que seria interessante desenvolver o conceito de “empanaderia”. Se bem o pensaram melhor o fizeram e hoje dedicam-se a 100% ao El Pibe, que celebra a cultura e cozinha latino-americana.

“Nós somos a primeira empanaderia em Portugal que se assume desta forma, como espaço de restauração. Existe quem produza, venda e tenha empanadas nos seus restaurantes, mas não como core business”, salienta Rodrigo. O segredo para o sucesso deste conceito está, afirma, na qualidade dos pratos, e também na variedade proporcionada pela experimentação de novos e originais recheios nas empanadas.

“Conseguimos a receita da massa através de uma avó argentina amiga do Tomás e criámos as quatro empanadas clássicas com receitas tradicionais: «Cebolla» (cebola e mozarella); «Espinacas» (espinafre e mozarella), «Carne» (vitela, pimentos vermelhos, cebola e azeitona verde), «Jamon y Queso» (fiambre e mozarella)”, conta Rodrigo.

A partir desta base criaram novas empadas, denominadas «Nuestras», adaptações que contam com influência da cozinha tradicional portuguesa. Aqui, os ingredientes vão desde a farinheira, ao polvo com grelos, às favas, ou às bochechas de porco preto. De notar ainda outras influências mais orientais (caril de carne), ou italianas, por exemplo (chouriça e mozarela).

O objetivo foi experimentar e alargar horizontes sobre o que pode ser uma empada, descartando opções mais óbvias, como o frango, a que o gosto português está tão habituado. “As receitas são todas nossas, estamos a experimentar e entrar por áreas que nós não conhecemos e por vezes fazemos combinações pouco óbvias, que podem ser um risco ou uma boa surpresa”, como explica Rodrigo, o sócio que entrou mais tarde neste negócio, quando este já estava estabelecido na Travessa de Santa Marta. O primeiro restaurante abriu na Travessa dos Pescadores, em Santos, onde ainda se mantem um espaço de produção de empanadas.

As empanadas têm todas nomes de personalidades da América do Sul. “Trata-se de proporcionar diversas opções a quem vem cá”, afirma Rodrigo. Existem sugestões vegetarianas, como é o caso da «Sofia Vergara» ou da «Pablo Neruda». A «Papa Francisco» é uma mini-quiche (tomate cherry, pesto, mozarella) que alude à “careca do papa”. Também a «El Pibe», (“o puto” Maradona), a «Pinochet», «Carlos Gardel», «José Mujica», «Pablo Escobar», são outras das figuras representantes de países como Uruguai, Argentina, Colômbia e Chile, que dão nome às empanadas.

Estas iguarias são servidas de acordo com um código de cores, que varia entre uma a três pintas vermelhas, amarelas ou verdes. Quem experimenta é convidado a entrar neste “jogo” de identificação para descobrir os recheios escondidos por trás da massa estaladiça, insuflada em torno do interior recheado com molho, ao gosto “português”, sendo que as originais argentinas são normalmente mais secas. Esta partilha torna as refeições mais dinâmicas: “Não é algo estático, o objetivo é que seja uma experiência de descoberta”, refere Rodrigo.

Mas, este é, afinal, um restaurante sul americano, com incidência na cozinha Argentina, tal como nos conta Rodrigo, que rejeita a ideia que prolifera pela Internet de este se tratar de um restaurante peruano, devido à existência na carta de pratos oriundos deste país, como é o caso do ‘ceviche‘. “Foi na Argentina onde tudo começou. Mas somos de todas as nacionalidades daquela região”, garante.

Existem pratos de quinoa (de abóbora ou de espinafres), ‘ceviche‘ de manga ou camarão, ‘choripan‘ de pimentos ou de queijo, ‘lomito‘ (uma espécie de prego latino-americano) e ainda uma sandwich de ‘chicharon‘ (bochechas de porco). Dos acompanhamentos fazem parte as ‘chifles‘ (banana pão frita), salda de tomate e abacate ou de cebola roxa, batatas fritas ou assadas no forno.

Os menus de almoço são bastante acessíveis. Por 4,90€ pode-se comer sopa, duas empanadas, um acompanhamento à escolha e café. O menu sumo tem as opções de limonada, chá frio ou sumo do dia, com duas empanadas e acompanhamento (5,30€). O menu ‘lomito‘ inclui o lombo de vitela mal passado e ovo estrelado em pão cortado ao meio, acompanhamento e café (6,90€).

Entre as sobremesas contam-se o ‘alfajor‘ clássico (farinha maisena com doce de leite no meio, servido com gelado para ajudar a paladares mais suscetíveis à sua textura naturalmente seca), salame com rum e duas variedades de mousses (maracujá e lima com manjericão).

A equipa começou recentemente a fazer entregas ao domicílio, na área da Estrela, Campo de Ourique e Misericórdia. Tiveram já a experiência de vender para fora, mas devido à grande procura escolheram parar, para assegurar a capacidade de abastecimento do restaurante: “Preferimos investir na variedade do que vender para fora. O objetivo é que toda a gente que cá venha possa ter essa experiência de escolha”, comenta.

“Queremos sempre aumentar e temos a ambição de crescer. Não podemos ser muito apressados hoje em dia. Olhámos para uma área que nós gostamos muito, um produto. Agora é crescer à volta disso”, afirma Rodrigo, que não descarta a hipótese de receber de braços abertos novos desafios, mantendo em vista o objetivo de “melhorar para agradar ao cliente”.

Morada:
Travessa de Santa Marta Nº 4, 1150-300 Lisboa
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