José I. Blandón: 2019 “vai ser um ano único” na Cidade do Panamá

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A Casa da América Latina entrevistou o atual Presidente do Município do Panamá, durante a sua visita a Lisboa, na qual teve oportunidade de reunir com a secretária-geral desta instituição e assinar um Memorando de Entendimento, que engloba as áreas da Cultura, Economia e Educação.

José I. Blandón nasceu a 7 de julho de 1967, em Chitré (Província de Herrera, Panamá). Iniciou a sua participação política em 1985, quando terminou os estudos no Colégio San Agustín. Em 1993, licenciou-se pela Faculdade de Direito e Ciências Políticas da Universidade do Panamá.
Nesse mesmo ano fundou a sua própria empresa de advogados, que se mantém até aos dias de hoje. Em 1994, iniciou a sua carreira política, sendo eleito Primeiro Suplente do deputado Marco Ameglio pelo Circuito Eleitoral 8-8 (Betania, Bella Vista, Pueblo Nuevo e Ancón). Participou de um total de quatro períodos na Assembleia Nacional, um como suplente e três como principal.

Visitou Lisboa durante dois dias, tendo tido a oportunidade de reunir com várias instituições e empresas. Que aspetos destaca nestas interações?

É a minha primeira visita a Lisboa, e também a Portugal. Vim participar da reunião da UCCI (União de Cidades Capitais Ibero-americanas), motivado por Lisboa ser este ano a Capital Ibero-americana da Cultura, sendo que o município do Panamá vai também sê-lo em 2019, a propósito dos 500 anos da sua fundação. Tivemos uma reunião muito produtiva com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e assinámos um convénio com a Casa da América Latina, com o propósito de fortalecer a cooperação entre as duas entidades.

Tivemos também reuniões com a administração do Turismo de Lisboa. No Panamá, o turismo é um dos motores de desenvolvimento, mas não tínhamos até agora uma experiência prévia, ao nível municipal, na área do Turismo. É algo que acabamos de criar no ano passado, e, portanto, interessa muito conhecer a experiência de Lisboa, na qual este organismo existe há 20 anos.

Visitaram também outros pontos de interesse, como o Oceanário de Lisboa e Mercado Abastecedor da Região de Lisboa…

Visitamos o Oceanário de Lisboa, pois temos também o interesse em construir um no Panamá – um país de mar. A cidade do Panamá é também uma cidade portuária, pelo que esta poderia ser uma interessante atração e complemento da mesma, e o Oceanário de Lisboa é um dos melhores do mundo.

Pudemos ainda observar o funcionamento do MARL. Foi uma boa experiência, na medida em que estamos na transição de um mercado que se tornou obsoleto para um mercado novo, recém construído, que segue os mesmos princípios que o de Lisboa. O importante agora é definir o processo de administração e perceber como vai funcionar. O nosso intuito é enviar a Portugal uma delegação de técnicos e produtores vindos do Panamá para aprenderem com a experiência do MARL.

Quais são os principais desafios que enfrenta neste momento o município do Panamá?

Neste momento, o Panamá tem um plano de ação para a cidade a 20 anos, onde identificamos como os dois principais desafios o tema da mobilidade e a gestão de resíduos – estas são as nossas prioridades. Acredito que Lisboa nestas áreas tenha bons projetos e acredito que a aproximação entre as nossas cidades pode trazer benefícios mútuos. No Panamá temos muito que aprender e acreditamos que desta visita vão sair resultados muito concretos.

Qual a importância em estar presente neste XXXII Comité Cultural da UCCI?

Nesta reunião da UCCI pudemos aprender a partir do que está a ser feito na Capital Ibero-americana 2017, Lisboa. Esperamos poder aprender e retirar o exemplo do que está a ser feito, e, sobretudo, assentar as bases para que, em 2019, o Panamá possa ter uma boa representação cultural de Lisboa e Portugal, partilhando connosco a nossa capital.

O Panamá vai receber ainda, em 2019, a Jornada Mundial da Juventude…

2019 é um ano muito especial para o Panamá. A cidade cumpre 500 anos de fundação, ano em que seremos capital ibero-americana da cultura, mas também vamos receber em janeiro a Jornada Mundial da Juventude, que é o encontro do papa católico com jovens de todo o mundo. Esperamos mais de meio milhão de jovens de todas as partes do mundo. Em 2019 celebra-se ainda a retirada da administração do Canal do Panamá das mãos norte-americanas para as panamenses. Vai ser um ano único e todos devem dar uma oportunidade a este país e desfrutá-lo. Esperamos por vós.