Argentina despertou para voltar a ser uma terra das oportunidades

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Marcelo Luco, ex-conselheiro económico na Embaixada da Argentina em Portugal, regressou a Portugal com as novas funções de Subsecretário de Comércio e Investimento do Ministério de Relações Externas da Argentina, para uma reunião empresarial no Novo Banco e um Seminário Empresarial na Aicep Portugal Global – Agência de Promoção e Investimento de Portugal.

Pablo Tarantini, da Fundação Argentina para a Promoção de Investimento e Comércio e Sua Excelência o Embaixador da Argentina em Portugal, Óscar Moscariello partilharam também as diferentes medidas do Plano Belgrano e esperam, com grande espetativa a visita do Primeiro Ministro de Portugal, António Costa, já na próxima semana ao seu país.

Senhor Subsecretário de Estado que mensagem nos trás de novo neste regresso a Lisboa?

Regressar a Lisboa é sempre um prazer. Gostei muito do tempo em que aqui estive em missão e agora quero que as empresas portuguesas se animem a voltar à Argentina ou a descobri-la neste novo momento. Argentina é um país aberto, num momento em que há países no mundo que se focam no protecionismo e no encerramento de fronteiras, nós, argentinos, sabemos o que isso pode custar. Sofremos na pele esse encerramento. E, sabemos que esse é um caminho errado.

Que mudanças ocorrem neste momento na Argentina?

As mudanças para terem efeito, têm de ser feitas a diferentes planos: ético, político e económico. Pobreza Zero, luta contra o narcotráfico e fortalecimento das instituições são a base para reconstruir o nosso país. Primeiro que tudo é necessário unir os argentinos e recuperar de uma política anterior que nos deixou 30% da população na pobreza.

Mas neste último ano já muito foi feito…

Verdade! Focámo-nos em medidas concretas que permitirão alterar o clima económico e atrair investimento. A saber:
– A regulação do mercado cambial e a permissão de transferência de divisas para o exterior. Uma liberdade que deixou de existir e fez com que muitas empresas saíssem do território.
– Eliminação de quase todos os impostos às exportações. Uma medida do passado, sem qualquer sentido e contribuiu para que muitos sectores, altamente competitivos argentinos, sofressem graves danos.
– Permitir a importação de bens, ou seja, retirar o travão à economia.
– Amnistia fiscal, com esta medida arrecadou-se 116 mil milhões de dólares e provou a confiança do povo argentino no novo Governo.
– Reabertura de negociações simultâneas, com a assunção plena da Presidência do Mercosul, impulsionando as negociações com a União Europeia, nas quais Argentina e Portugal têm interesses convergentes.
– Paralelamente, a abertura de negociações de acordos de livre-comércio com Chile, México, Colômbia, Peru, Canadá, EFTA. E no futuro Japão, Coreia e China, fundamentais para estimular a economia argentina que se quer global.

Que espera da visita do nosso Primeiro Ministro que se prepara para muito breve?

O “mundo” tem-nos visitado. As visitas de Estado de altos governantes de países como Japão, EUA e Itália foram muito importantes. Esperamos com grande expectativa a visita António Costa e depois Angela Merkle à Argentina. As relações históricas e políticas entre Argentina e Portugal sempre foram fortes, contudo agora temos um verdadeiro desafio: traduzi-las em fortes relacionamentos económicos. Somos países com estabilidade, sem problemas religiosos, políticos, temos de ser capazes de apoiar as nossas empresas neste processo. As PMES são as maiores geradoras de emprego no mundo. As empresas portuguesas contam com vantagens relativamente a outros países. Há um conhecimento técnico de experiência adquirido, fundamental para a Argentina, num momento em que lançamos o Plano de infraestruturas mais ambicioso da nossa história. O Plano Belgrano que envolve logística/transporte/ferrovia /Energia e rondará os 220 milhões de dólares.

Então qual é o travão que impede as empresas portuguesas de investir?

Acho que temos todos de ser mais criativos. Há uma linha de trabalho que não se tem explorado. A integração de cadeias de valor. Portugal e Argentina não têm esta relação nem para o setor público, nem para o privado. Há que promover associações, joint ventures, aproveitar a melhoria do ambiente de negócios e as facilidades existentes em ambos os países e colocar empresas portuguesas e argentinas a falar, a conhecerem-se e a encontrar patamares de trabalho que interessem a ambos.

Não vejo qual a razão para as empresas portuguesas ficarem longe das licitações dos novos projectos. Então no sector energético com tantos anos de experiencia… Há que conhecer a fundo o Plano Renovar. E como disse, não têm de ir sozinhos. Contactem-nos. Contactem a Embaixada da Argentina em Portugal. Por exemplo, no sector agro-industrial, um sector fundamental para o meu país, percebo que o problema seja a tomada de decisão. A rentabilidade agora é mais alta do que será daqui a 4 anos. Japão e EUA já decidiram entrar, esperamos pelas empresas portuguesas. Talvez com esta visita oficial, a organização do Fórum Empresarial em Buenos Aires e a missão que a Fundação AIP e Câmara de Comércio Portugal Atlântico-Sul e o apoio da Casa América Latina ajudem a esclarecer melhor as dúvidas e a termos portugueses em força a ajudar a construir uma Argentina forte e próspera.