James Lingwood em Master Talk na CAL

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No âmbito da ARCOlisboa – Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa a Casa da América Latina recebeu no seu auditório o ARCOlisboa Fórum, um fórum de debates sobre a atualidade criativa, com Master Talks abertas ao público com orientação de Manuel Borja-Villel, James Lingwood e Hans Ulrich Obrist.

James Lingwood, diretor da Artangel, desde 1991, falou connosco sobre este projecto, que já levou várias obras de arte aos locais mais inesperados de Inglaterra e do mundo, bem como sobre as ligações à América Latina.

Que relação existe entre a Artangel e a América Latina?

Os trabalhos que realizamos na Artangel são sempre site specific, pelo que não fazemos, no geral, uma tour das exibições que temos em mãos. Assim sendo, nunca exibimos na América Latina, apesar de alguns dos filmes que fizemos terem já sido apresentados na região, e termos trabalhado com uma série de artistas do Brasil, Colômbia e México, que vieram realizar projetos em Inglaterra.

Com que artistas já trabalhou e quais os que segue?

Eu sigo muito mais artistas do que aqueles com que trabalho, porque a Artangel faz apenas três ou quatro projetos por ano. Mas é um facto que existe uma cena artística bastante ativa em todos os países latino-americanos. Estive na Argentina o ano passado e pude comprovar que existe muita atividade interessante lá, bem como no Brasil, como é óbvio. Trabalhámos com o brasileiro José Damasceno há cerca de três anos atrás num grande projeto em Londres. No ano passado trabalhamos com Doris Salcedo da Colômbia, que veio fazer parte de um grande projeto na Inglaterra. O nosso trabalho tem vindo a expandir e o nosso objetivo é encontrar percursos muito particulares de artistas específicos, que façam sentido no nosso programa. Mas claro que existe muito a acontecer em muitos meios diferentes.

Que tipo de tendências específicas existem no panorama artístico latino-americano?

Existem histórias específicas da América Latina a nível político e cultural, e também a nível artístico no que toca à influência histórica, e, da mesma forma, a história do colonialismo tem uma repercussão clara. O legado toca a muitos artistas que trabalham nessa área. O desenvolvimento de linguagens particulares, desde os anos 30 aos 50 é algo que considero se manter relevante para uma série de artistas mais novos na América Latina.

Pode falar de alguns dos artistas que admira nesta região?

Admiro muito o trabalho de um artista do Rio de Janeiro chamado Cildo Meireles – que é um artista fantástico. Gosto de vários artistas do México, como é o caso de Gabriel Orozco, sendo uma figura proeminente desde há algum tempo, Abraham Cruzvillegas.

Sobre o que nos veio falar na Master Talk que apresentou na Casa da América Latina?

Vim falar sobre o trabalho da Artangel durante as últimas duas décadas, e, mais especificamente, sobre a forma como temos convidado artistas internacionais a trabalhar connosco para desenvolver projetos relacionados com lugares e histórias particulares.