O Uruguai no contexto agroalimentar na América Latina

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“Os números da relação comercial do Uruguai à escala global podem soar a pouco, mas sei que os portugueses me entendem. Somos perto de 4 milhões de habitantes, habituados a negociar com duas potências, Argentina e Brasil e somos a plataforma certa também para estes dois mercados. A dimensão do Uruguai fica definitivamente diferente quando vista nesta perspetiva. Uruguai decidiu tornar-se atrativo para as empresas e apresenta excelentes condições para a sua instalação. Este evento é uma oportunidade para nos conhecerem melhor”, referiu a Embaixadora do Uruguai em Portugal, Brigida Scaffo, na abertura do Workshop “Oportunidades de Negócio no Setor Agro-Alimentar na América Latina: O Uruguai”, que decorreu no dia 10 de março, na Casa da América Latina.

No âmbito das atividades da Semana do Uruguai em Portugal, a Casa da América Latina e a Embaixada do Uruguai em Portugal, com o apoio do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa e a Fundação AIP, organizaram este encontro com o objetivo de partilhar experiências de um lado e do outro do Atlântico, conhecer a oferta exportadora do Uruguai e contribuir para o debate entre empresas produtoras, importadoras, exportadoras e distribuidoras do setor agroalimentar, portuguesas.

A Secretária-geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice recordou a missão empresarial levada a cabo o ano passado, durante a Semana de Portugal no Uruguai, e encorajou as empresas portuguesas a descobrirem novos mercados “onde as relações históricas nos unem, mas onde estas ainda não se traduzem em relações comerciais”. O Diretor-Geral do Ministério da Agricultura, Floresta e Desenvolvimento Rural, Eduardo Diniz, disponibilizou-se para colaborar na aproximação destes dois países e apontou para o esforço bilateral de simplificação de procedimentos para facilitar as trocas comerciais no setor agro-alimentar que tem sido realizado no âmbito deste Ministério.

Gonçalo Velho, Administrador da Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores (SIMAB), apresentou o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa, a sua importância para o abastecimento da região e as centenas de empresas instaladas, muitas delas importadoras da América Latina e os milhares de compradores que todos os dias passam por esse mercado. “Um condomínio de luxo, onde há lugar para todos. Do pequeno produtor ao grande grossista, e quem sabe até empresas latino-americanas”, comentou.

O Diretor de Projeto da Uruguai XXI, Juan Balparda, salientou a estabilidade económica, o elevado nível de desenvolvimento humano do país, como fatores fundamentais para a instalação de uma empresa no Uruguai. “76% dos produtos agro-alimentares uruguaios exportados para Portugal são carne bovina e 14% de frutas cítricas, Portugal exporta sobretudo peixe e produtos de outros sectores, mas trata-se de uma relação comercial que tem muito para crescer”, referiu Rocío Morino, analista do Departamento de Promoção de Exportações de Uruguai XXI. A empresa Caputto, empresa exportadora de produtos cítricos uruguaia, partilhou a sua experiência exportadora com Portugal, o conhecimento de empresas portuguesas e espera poder voltar a Portugal para conhecer novas empresas e fortalecer a sua relação comercial, talvez participando numa Feira do setor.

Os avanços e recuos que se têm verificado na exportação-importação de frutos de para a América Latina permitindo, por exemplo, que a pera rocha seja uma realidade nos mercados colombianos, forma explicados por Cláudia Sá, Diretora de Serviços de Sanidade Vegetal, da Direção Geral de Alimentação e Veterinária.

Vanessa Luz, da Divisão da Internacionalização da DGAV, partilhou a importância de coordenar as ações respeitantes à apresentação de dossiers conducentes à negociação de acordos com países, designados como Países Terceiros para a habilitação para exportação, as dificuldades no acompanhamento de inspeções e todo o trabalho que depois de terminado, permite às empresas exportarem produtos e sub-produtos de origem animal.

Vítor Fonseca, Diretor da Ferreira da Silva, explicou que importa produtos cítricos do Uruguai, que considera de elevada qualidade, mas que tem dificuldade em vender para esse país. Contudo testemunhou que há outros países como Colômbia ou a região de Caribe que podem ser atrativos para os cítricos portugueses.

Fátima Vila Maior, Diretora de Feiras da Fundação AIP, apresentou a Feira Alimentaria e Horexpo Lisboa 2017, que decorre de 4 a 6 de junho, realizada em parceira com Barcelona – “a melhor montra do sector para expor produtos inovadores e novas empresas. Não só para o mercado português, mas sobretudo para o Europeu ”, destacou.

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