Felipe Arakaki: “Queremos uma vida digna para todos”

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[Testemunho de Felipe Arakaki, Presidente da Câmara Municipal de Ancón, em Encontro Empresarial na Casa da América Latina]

“Ancón é um distrito fundamental para a história e arqueologia do Peru. Este território de pescadores é considerado terra cerimonial pré-Inca, onde, há quatro mil anos se desenvolveu a civilização Ancón-Supe, uma das mais antigas da sociedade peruana. Constituindo uma das mais amplas e belas zonas balneares da costa central do Peru, Ancón é um distrito com mais de 142 anos desde a sua criação. Falar das necessidades de Ancón é falar das necessidades que a maioria dos peruanos vive, nomeadamente, no acesso a uma educação e a cuidados de saúde dignos. Queremos uma vida digna para todos.

Analisando a realidade peruana e focando-nos em Lima, esta espelha uma concentração demográfica, consequente da enorme centralização do poder no país, tanto a nível político, como económico e social. Para poder por em marcha um processo de descentralização no nosso país, é necessário vincular a necessidade da transformação da máquina do Estado que é insuficiente, com a ampliação dos direitos democráticos e a redução das desigualdades sociais e económicas.

Em Ancón procuramos descentralizar de uma forma ordenada e integradora. Este que é o segundo maior distrito de Lima, com uma extensão territorial de 299 km2, oferece uma oportunidade de desenvolvimento sustentável, um modelo de uma nova cidade que pode ser emblemático para o Peru. O nosso objetivo é estabelecer pontes, aprender com as novas empresas europeias e consolidar neste distrito, com mais de 80 mil habitantes, os acessos e as infraestruturas necessários para oferecer uma vida digna para todos os peruanos.

Graças à natureza, Ancón conta com uma zona balnear muito bonita que pode ser mais desenvolvida. Estamos a 30 minutos do aeroporto Jorge Chavez e temos 8 mil hectares que foram destinados para um futuro parque ecológico. No entanto, neste vasto território, os peruanos procuram uma habitação digna, contudo a primeira solução que encontram é uma habitação informal, que com esforço conseguem depois colocam à água, luz, e mais tarde chegam outros serviços básicos, providenciados pelo Governo. Há aqui, portanto, oportunidades para empresas que se dediquem a construir soluções interessante de habitação social.

Eu lidero um projeto de converter cerca de 300 hectares na cidade de Ancón, um terreno muito central, onde já existem alguns investimentos, numa nova cidade, com bons acessos à educação, ao turismo, à saúde, ao comércio e, sobretudo, ao setor financeiro. A 10 minutos de Ancón está a ser construído o novo porto de Xangai, através do qual vão chegar outras oportunidades de exportar produtos nacionais.

Nos anos 50 construíram-se as primeiras edificações, numa arquitetura moderna, onde a aristocracia se deslocava no verão. Nessa estação, com os primeiros festivais de Ancón, recebemos cerca de 5 mil de visitantes que apreciavam muito as nossas praias. Contudo, somos um distrito ainda desigual. Temos 80 mil habitantes em pobreza extrema. Muitos dos trabalhadores têm de viajar cinco horas para ir trabalhar na cidade. E é essa desigualdade que temos de esbater. Contamos com o investimento das empresas portuguesas para encontramos soluções inovadoras e assim construirmos uma sociedade próspera, mas integradora.”