Presidente da Colômbia recebe Nobel da Paz

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Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, foi o escolhido pelo Comité Nobel norueguês para receber o Prémio Nobel da Paz 2016, pelos seus esforços para pôr fim à guerra civil no país, que dura há mais de cinco décadas. A entrega realiza-se a 10 de dezembro em Oslo.

No comunicado que explica esta escolha o Comité Nobel afirma: “O presidente Santos iniciou as negociações que culminaram no acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC, e consistentemente procurou levar o processo de paz avante. Sabendo bem que o acordo era controverso, foi crucial em assegurar que os votantes colombianos pudessem expressar as suas opiniões em relação ao acordo em referendo.”

Apesar de o “não” ter vencido no referendo, o comité acredita que o processo de paz não cessa. “O referendo não constituiu um voto pela paz ou contra ela. O que o lado do «não» rejeitou não foi o desejo pela paz, mas sim um específico acordo de paz”, pode ler-se no comunicado.

O comité Nobel norueguês presta ainda tributo aos colombianos que, “apesar de grandes dificuldades e abusos, não desistiram de esperar uma paz justa”, a “todos os partidos que contribuíram para o processo de paz”, e aos “representantes das incalculáveis vítimas da guerra civil”.

Santos agradeceu, através do twitter esta “honrosa distinção”, dedicando-a a “todas as vítimas do conflito”, acrescentando ainda: “juntos ganharemos o prémio mais importante de todos – a paz”.

A embaixadora da Colômbia em Lisboa, Carmenza Jaramillo Gutiérrez, saudou a decisão do comité pelo presidente que pôs em marcha “um processo de paz irreversível”, afirmando que o país vai em breve restabelecer a paz. (ver artigo TSF)

O presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, também já reagiu, salientando a importância da atribuição do Nobel da Paz ao presidente colombiano como “estímulo para que um entendimento, uma convergência e uma compreensão recíproca triunfem na Colômbia”.

O presidente Juan Manuel Santos tornou-se num dos principais rostos do processo de paz com as FARC (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia). Iniciando-se na política em 1991, começou por exercer jornalismo, tendo recebido o prémio Rei de Espanha pelas suas crónicas sobre a revolução sandinista na Nicarágua. Admirador de Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Nelson Mandela, leitor voraz e cinéfilo, afirmou sempre não procurar uma recompensa pelo seu combate à guerra civil na Colômbia, que fez mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados. (ver artigo Público)