Fretes Carreras: “Foi uma honra ser Embaixador”

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Dias antes de concluir a sua experiência como Embaixador do Paraguai em Portugal, Luis Fretes Carreras aceitou ser entrevistado pela Casa da América Latina. Fretes Carreras, cujo percurso profissional tem sido sobretudo ligado à Ciência Política, área em que é professor e investigador (Universidade Católica de Assunção), falou das relações económicas do seu país com Portugal, de cultura e do que aprendeu como representante máximo do Paraguai em Lisboa.

Entrevista de Rui Passos Rocha

Está de saída de Portugal, voltará ao Paraguai.
Sim, vou terminar a missão como Embaixador e regressarei à minha actividade anterior como académico na universidade.

Li numa notícia que preferia continuar como diplomata. Não é possível?
O que disse na notícia foi que gosto da actividade diplomática. Aprendi a dar valor ao que significa este trabalho, a importância que tem para o país, para o Estado, o governo e principalmente para as pessoas. Isto é o que gosto de fazer. É algo que tem impacto mas não lhe é dado o devido valor. O trabalho diplomático é de aproximar o que de melhor têm os povos encontrar as melhores formas de solucionar os numerosos problemas que se geram normalmente nos contactos entre pessoas de diferentes países.

O actual governo do Paraguai parece mais receptivo do que os anteriores ao investimento estrangeiro.
Sim. Há uma particularidade neste governo: creio que está focado no desenvolvimento da cultura empresarial, na aproximação das empresas paraguaias às estrangeiras, para inserir o Paraguai no contexto do comércio global. O que sucede é que o Paraguai participa no comércio mundial por arrasto, integra-se no circuito comercial junto dos países seus vizinhos. Isso vem acontecendo nos últimos 50 a 60 anos, nos quais o Paraguai entrou no comércio internacional através da exportação dos seus produtos agro-pecuários. O Paraguai foi um grande produtor de algodão e é um importante produtor de tabaco. Para além disso, a exportação de madeira fez do Paraguai um país alvo de grande investimento. O que este governo faz é facilitar aos empresários estrangeiros o desenvolvimento de um comércio mais activo no Paraguai, através de medidas de incentivo. Mas é estrutural o facto de que dado o Paraguai ser um território de carácter continental, o acesso barato ao transporte marítimo para exportar e receber produtos é fundamental. Em justiça, já no governo de Fernando Lugo o Paraguai foi um país muito aberto ao exterior. Foi mais presente com Lugo a necessidade de o Paraguai realizar políticas de assistência social, o que impulsionou uma política económica que impunha às empresas o pagamento de uma quota de responsabilidade ambiental, solidariedade e desenvolvimento social. Aconteceu, por essa altura, que se viveram momentos muito complicados na América Latina, dados os conflitos ideológicos que opuseram governos com perspectivas económicas diferentes. Essas dificuldades existiram, mas a abertura do Paraguai ao estrangeiro sempre existiu e as condições são boas para que continue a existir: a sociedade paraguaia gosta que a visitem e valoriza muito a diversidade.

Mas a população é essencialmente nativa.
Naturalmente, mas somos todos mestiços. Uma das características do povo é a de não querer esconder as suas raízes. Pelo contrário, somos um povo que valoriza a diversidade cultural. O próprio pensamento expressa-se através do idioma guarani. Por esse motivo, o Paraguai é um país fácil para os estrangeiros se sentirem em casa, porque os paraguaios estão em harmonia com a sua cultura e não há uma situação de mal-estar, como noutras sociedades, em que as diferenças sociais, com raízes políticas e económicas, resultem na exclusão de sectores importantes da população. O mundo está a mudar, e em particular as pessoas que vivem nos meios rurais estão a sentir o impacto dessas mudanças. Mas também nas cidades, onde ainda temos um nível altíssimo de pobreza, que estamos a trabalhar intensamente para superar. Os paraguaios estão conscientes da necessidade de transformar o seu pais e para superar essa situação fazemos o esforço necessário. Por vezes temos opiniões diferentes de como devemos fazê-lo, como é logico: alguns acham que é com maior intervenção ou participação do Estado, outros acreditam que deve haver uma maior participação da sociedade e um fortalecimento do papel das elites.

Essa diferença de perspectivas é patente na bipartidarização do Paraguai, com o Partido Colorado, agora no poder, e a Frente Guasú de Fernando Lugo.
Sim, claro. Há diferenças de critérios nos partidos políticos. O Paraguai é ainda um país onde há tradições de partidos muito fortes, com uma enorme base social que não se consegue explicar sem relacionar com a história do Paraguai. A vigência de partidos que têm mais de 120 anos está relacionada precisamente com a forma como se desenvolveu a sociedade paraguaia.

Em que sentido?
No sentido de que a sociedade paraguaia valoriza muito o critério familiar. A família é o elemento central da sociedade, ao redor do qual circula tudo o resto. É na família que se inculcam todos os valores, os princípios, se constroem as personalidades das pessoas a partir de uma história comum que é muito importante.

Isso significa que há também famílias políticas?
Há, sim. Há famílias que têm uma tradição política muito longa e uma actividade e presença muito intensas.

E nesse sentido a política no Paraguai é essencialmente oligárquica, ou está aberta à participação?
Se falarmos em termos da ciência política contemporânea, o Paraguai tem muitos elementos das características oligárquicas, quer dizer, as famílias que de uma forma endógena vão desenvolvendo um controlo dos aparatos políticos e partidários. Isto saiu reforçado no período da ditadura, no qual foi colocada na administração pública um conjunto de pessoas que, por sua vez, se foram replicando no interior do sistema. No entanto, há que considerar outra perspectiva: a sociedade paraguaia está a mudar profundamente. É uma sociedade jovem, que recebe muita influência do exterior — porque temos muitos paraguaios a trabalhar fora e muitos estão a regressar em cada vez maior proporção, estimulando até a vida social e cultural e alterando os cânones tradicionais.

Isso está relacionado com o crescimento do PIB.
Tem a ver, essencialmente, com a integração do Paraguai no mundo. Por exemplo, uma potencial como a China desenvolve a sua integração no mundo através da projecção do seu Estado, os seus órgãos e as suas empresas entram no comércio mundial. No caso do Paraguai, o que se projecta no mundo é a sociedade, são os paraguaios, as famílias, que por necessidade ou por conveniência se transferem para outras regiões, ou até para outros continentes. Não é uma interacção coordenada e dirigida a partir do Estado; tem uma forma mais “caótica”, que faz com que circulem as pessoas e com que a dinâmica das nossas relações internacionais seja muito variada.

No seu entender, deveria haver mais intervenção do Estado nos assuntos exteriores?
Pessoalmente, acredito que o Paraguai deveria fazer um maior esforço na sua política externa, colocando o Paraguai não só no radar dos países que o circundam, mas também no de países mais distantes, com os quais pudéssemos ser complementares. Refiro-me especificamente a África e à Ásia. O Paraguai tem muito para contribuir numa relação de comércio mais justa com a África, e ao mesmo tempo tem muito que pode fazer pelo desenvolvimento das instituições tanto de Africa como da Ásia, assim como podemos aprender com eles. Esta é uma ideia que fui consolidando a partir da minha experiência em Portugal, porque se bem que as nossas relações com Portugal tenham crescido, e também tenhamos uma escala parecida na geografia e na população, as escalas das nossas economias são diferentes e isso por vezes dificulta um pouco. Os portugueses estão a pensar na sua inserção em mercados maiores, mais competitivos e mais rentáveis. Nós temos que pensar da mesma maneira, mas provavelmente em associação com as outras regiões.

Menos desenvolvidas?
Eu não dira menos desenvolvidas, o que diria é que temos um menor avanço na implantação do sistema económico, o que é distinto porque o desenvolvimento também tem um carácter cultural e condiciona a visão das pessoas. Creio profundamente que os paraguaios têm de mostrar aos estrangeiros o valor da sua cultura, de tal maneira que ela possa ser valorizada na medida justa, não como um objecto raro ou algo estranho, mas como um factor de desenvolvimento das culturas humanas, no caso a cultura paraguaia.

O facto é que, pelo menos em Portugal, a cultura paraguaia é pouco conhecida. O facto de ter raízes indígenas, não universais mas regionais, é um obstáculo a esse conhecimento?
Antes de mais, o guarani é um idioma, relacionado com uma cultura. Não é um idioma local, como o mirandês em Portugal, não é um dialecto. Expande-se por vários Estados: Bolívia, Brasil, Argentina e Paraguai. É um idioma é anterior aos Estados: o surgimento de Estados é um pouco artificial porque a expansão genuína da cultura não está relacionada com as linhas das fronteiras, e além do mais o idioma teve uma presença muito maior há uns séculos atrás do que tem agora. Devia por isso ser considerado um idioma universal porque é falado por mais de 10 milhões de pessoas.

Deveria estar classificado como património imaterial da UNESCO?
Sim, com certeza. O que sucede é que nós dependemos de mecanismos burocráticos de organismos internacionais para que o nosso idioma seja classificado de certas maneiras. O guarani é um idioma transnacional, que tem por detrás uma cultura; não é um artificio que tenha surgido no último século. Tem milhares de anos.

A cultura é muito peculiar no Paraguai: as canções com harpa e a polca não são talvez tão exportáveis como outras músicas, mais influenciadas pelo Ocidente, ou esse facto não é limitador?
A quem pertence o rock and roll? Hoje em dia fazem-no todos. Porque se converteu em algo exportável tem que ver com o meio de comunicação através do qual foi difundido: a rádio. No entanto, convém notar que nos anos 60, na Europa, a música paraguaia era muito popular. Os maiores cantores e compositores paraguaios competiam com os maiores, inclusive com The Beatles. O que se passa é que a fama destes músicos é efémera. Vivemos num tempo demasiado acelerado, em que um cantor ou um grupo musical tem uma popularidade que dura por vezes segundos. Quem se recorda ainda de Gangnam Style? O importante é considerar o alcance que podem ter as várias manifestações culturais, não pensando que umas sejam universais e outras locais. Para mim, o rock and roll poderia ser local.

O que se pode então fazer para tornar a música folclórica do Paraguai mais conhecida?
Temos de trabalhar muito mais na projecção da nossa política externa. Os passos que vimos dando são importantes, mas não são suficientes, e é preciso um maior investimento para conseguir uma maior promoção.

É uma questão de vontade política?
Isso penso existir. O que falta é articulá-la com um programa financeiro e de difusão articulado. Isso já existe, mas ainda me parece insuficiente.

Voltando à política: sente-se mais próximo politicamente de Fernando Lugo do que de Horacio Cartes?
Bem, eu não diria que me sinto mais próximo, porque assumi um compromisso institucional, enquanto Embaixador, e não posso ter interferência de carácter partidário ou ideológico na prática governamental do meu país. Faço por estar o mais próximo possível dos vários actores políticos, independentemente das suas orientações ideológicas, porque é esse o meu dever como funcionário do Estado. Tenho uma identidade política definida, que pode ser conhecida através do Google ou da imprensa, mas desde que assumi as funções de Embaixador cumpro estritamente o princípio de que sou um servidor público.

Com dificuldade, por vezes, presumo.
Sim, sempre. Todos os dias tenho dificuldade para medir o meu horizonte e convenço-me de que a minha função, neste caso como diplomata, é favorecer a paz, alcançar o bem-estar e defender os direitos das pessoas. Essa dedicação enfrenta muitos obstáculos: interesses das pessoas, dificuldades da legislação com que temos de lidar. Muitas das instituições precisam de ser transformadas, mas enquanto não o são é preciso conviver com elas, tentar aplicá-las do modo mais favorável às pessoas.

Isso não o faz sentir-se impotente, por vezes?
Não creio que as leis sejam perfeitas. Todas podem ser alteradas, melhoradas. Vivemos entre seres humanos que todos os dias se levantam com uma aspiração nova. Isso faz-me reflectir que as leis de ter uma aplicação favorável ao desenvolvimento. Não me preocupa transformar a lei enquanto norma, interessa-me acomodá-la ao melhor propósito para garantir a harmonia entre as pessoas. Boa parte dos nossos problemas tem a ver com aplicações restritas da lei.

Enquanto foi Embaixador em Portugal serviu três governos de três Presidentes. Ocorreu alguma vez a sua interpretação das leis ter sido diferente da interpretação do governo, assim gerando atritos?
Sim, sem dúvida.

Mais com o actual governo, ou com algum dos anteriores?
Sobretudo em momentos de crise, nos quais houve conflitos no interior dos governos. O que procurei fazer foi tentar encontrar os objectivos do Estado e dar continuidade ao meu trabalho, salvaguardando os interesses dos paraguaios.

Para isso deve ter sido importante o seu conhecimento de Ciência Política. De que modo a teoria serviu a prática?
Serviu muito. Eu sempre trabalhei com base nos meus valores e utilizei a ciência como um veículo, uma prótese que me ajudou a interpretar os factos.

Agora que voltará à actividade académica terá outro tipo de conhecimento para transmitir nas suas aulas.
Eu preciso de reflectir sobre as coisas. Quando estou numa função administrativa, como foi este caso, trabalho com objectivos definidos em mente. A minha experiência, sobretudo como director na universidade, foi muito importante porque estava habituado a gerir projectos com poucos recursos. Creio que ficará registado desta minha experiência na Embaixada que é possível fazer muito com poucos recursos. Trabalhámos muito para promover os cidadãos paraguaios em Portugal. Para muito foi uma grande honra ser Embaixador em Portugal.

Desejou este posto?
Aceitei-o com muitas dúvidas, na verdade. Tomei-o como um dever e depois dei-me conta de que gostava muito, de que era uma tarefa muito relevante. Apaixonei-me por esta função.

Portugal foi um destino que escolheu?
Foi o destino que me indicaram. Sabia pouco do país: algo da História, algo de cultura. Foi um grande desafio. Francamente, Portugal surpreendeu-me muito. Já havia visitado o país antes, na altura da Expo 98. As pessoas já nessa altura me haviam parecido simpáticas, o clima óptimo. Mas havia um ar cinzento, tive a impressão de que a vida era aborrecida aqui. O que vi agora, nesta experiência, foi que a sociedade é muito parecida com a latino-americana. Temos uma visão similar do que deve ser o mundo. Portugal é também um país que valoriza muito o seu passado, está permanentemente a reafirmar a sua identidade de vários séculos. Isso ajudou-me a encontrar uma semelhança do país com o Paraguai. Os portugueses são modestos, austeros, valorizam muito o tempo necessário para tomar decisões. Isso ajudou-me muito. Eu estava acostumado a respostas rápidas, mas que por vezes não tinham qualquer valor; aqui acostumei-me a respostas definitivas. Outra coisa que notei foi que Portugal crê ter uma importância menor nas Relações Internacionais do que verdadeiramente tem: o seu posicionamento geográfico é muito importante.

A relação de Portugal com países lusófonos em África pode interessar ao Paraguai?
No Paraguai há uma importante comunidade de língua portuguesa: brasileiros e seus descendentes, que quotidianamente falam português. Isso é considerado um perigo no Paraguai, porque excluem as línguas espanhola e guarani. Mas eu vejo o lado positivo disso: podem ser muito importantes para que construamos uma ponte com o mundo lusófono. O que creio, também, é que Portugal deve concentrar mais esforços na América Latina.

Já o vem fazendo.
Sim, paulatinamente, mas espero que isso venha acontecendo cada vez mais.

Mais para o Paraguai, entende.
Sim, também. O Paraguai é um país-chave, por ter uma dimensão adequada para Portugal. Nâo é um competidor.

Li que não contava ter de abandonar Portugal agora, esperava que isso acontecesse daqui a alguns meses.
Na verdade, pensei que o meu período aqui terminaria em Agosto do ano passado. Era essa a minha expectativa. Fiquei surpreendido com a minha continuidade. Por ter a ideia de que os mandatos eram anuais disse à imprensa, de forma espontânea, que esperava sair no final do ano. Mas na verdade estamos perto do final do ano, falta um mês e meio. Considerava que chegaria ao final do ano porque tinha uma série de projectos pendentes aqui na Embaixada. Mas não acredito que isso será posto em causa com a minha saída.

O que disse à imprensa denotou alguma tristeza.
Bem, uma vez que esperei sair no ano passado, esta decisão não é de todo inesperada. Em termos pessoais, claro, levar a cabo um trabalho e ter de o abandonar antes de terminado gera alguma tristeza, mas não se trata de algo negativo. Creio que fiz todos os possíveis e trabalhei com seriedade. O facto de que tenho de voltar ao Paraguai não me enche de tristeza, pelo contrário, fico até um pouco aliviado, porque cinco anos são muito tempo. Foi um esforço muito grande. Tivemos de mudar a orientação da Embaixada, inclusive mudámos de instalações, perdemos fins-de-semana neste trabalho. Será bom ter tempo para reflectir sobre o que correu bem e menos bem, e ter tempo para fazer outras coisas. Acho que os seres humanos são como pedras: vão-se formando com o tempo, por vezes uma tormenta quebra-as, mas vão sendo polidas com o tempo. No meu caso, o trabalho que aqui desenvolvi será continuado no Paraguai, no campo teórico.

Nestes cinco anos de trabalho na Embaixada, para além de iniciativas económicas investiu na difusão da cultura do Paraguai. Pareceu-lhe prioritário fazê-lo?
Sim. Acredito que a melhor forma de nos darmos a conhecer é esta, mostrando-nos. Há obviamente coisas que poderia ter feito, que gostaria de ter feito. Se já tivesse feito tudo o que queria certamente estaria perto da morte, e eu ainda quero viver muito.

O prémio que atribuiu em nome do Paraguai ao dramaturgo Marco Flecha, na Mostra Latino-Americana de Teatro organizada pela CAL, foi uma iniciativa sua?
Há já algum tempo que eu vinha dando conta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paraguai de que deveríamos reconhecer, de algum modo, a importância dos paraguaios que vivem no exterior. Isto nasceu com a ideia de dar um prémio a Óscar Cardozo, o futebolista que jogou no Benfica. Ele não é muito querido no Paraguai, por ter tido actuações pouco felizes pela Selecção Nacional, mas eu conheço-o e sei que é uma pessoa muito completa, que se esforça muito e é humilde, o que é difícil num contexto de glória. Considero-o um bom exemplo para os paraguaios. Acredito que deixou uma marca importante em Portugal, e sobretudo que é um Embaixador do Paraguai no exterior. No caso de Marco Flecha, trata-se de alguém que, através do teatro, aproxima as pessoas. Trabalhámos muito com ele em escolas, fazendo actuações. Aprendi com o meu pai que no trabalho os triunfos são sempre colectivos.

Notei que citou muitas vezes o seu pai, entretanto falecido, num seu blogue. Foi uma figura importante na sua vida?
A minha mãe também é importante, mas o meu pai foi fundamental. Tenho pena que ele não tenha podido vir a Portugal: gostava de boa comida e de bom vinho, ter-se-ia dado bem cá. Lamentavelmente faleceu um mês depois de eu ter chegado a Portugal. Foi difícil, mas superei essa contrariedade por ter aprendido isto com ele: temos de colocar tudo o que temos nas nossas aspirações, no que fazemos. Sinto-me orgulhoso por ter tido um pai como exemplo. Será difícil chegar ao que ele foi, até porque viveu tempos muito difíceis.

Gostaria de ser um exemplo semelhante para alguém?
Não, não me sinto exemplo. Limito-me apenas a cumprir o que sinto serem as minhas obrigações.