Veckio Mendoza: “Nesta peça entra a saudade”

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Elmer Veckio Mendoza é um dramaturgo mexicano radicado em Portugal, convidado pela Casa da América Latina para a sessão de 20 de Maio de 2014 do Ciclo de Conversas sobre Teatro, no Teatro D. Maria II. A Casa da América Latina entrevistou-o por e-mail:

Tequila-Fado mistura elementos da História de Portugal e do México. Quão fácil foi para si o trabalho de juntar tais elementos?

Tequila-Fado procura ser uma mistura de elementos mexicanos e portugueses, que provêm do meu universo e do grupo de actores. Um espelho em frente a outro, tu és o meu espelho. Escrevo a partir do que me acontece e imagino que pode acontecer-me, o às pessoas ou personagens que vou escolhendo para que lhes aconteçam coisas, tudo isto em pleno processo criativo, em que actores propõem, eu lanço desafios e vamos construindo juntos. Nesta peça a saudade entra em acção; basicamente é a saudade do México e o processo de incorporação a outra cultura, a portuguesa. Foi assim que partimos de um romance do meu pai, Balas de Prata, traduzido para português, de onde apareceram personagens e comportamentos que explorámos em improvisações. Dançámos as músicas mexicanos, comemos comida mexicana, falamos dos mitos do noroeste do México, que é de onde venho. Depois procurámos equivalentes portugueses.

Culturalmente, e no comportamento das pessoas, o que há de português no México e o que há de mexicano em Portugal?

Há uma certa tristeza nos dois, que no México é expressa nas rancheras e em Portugal através do Fado. Mesmo aí dividem as suas origens, as suas bebidas, reconhecidas mundialmente como a tequila e o vinho do Porto. Desenrascar também é próprio dos mexicanos. Em ambos os países somos bons anfitriões.

O que podem esperar os portugueses que vão assistir a Tequila-Fado?

Verão um encontro onde é possível comunicar duas culturas a partir da abertura, do teatro, fazendo aprender um pouco sobre ambas as culturas, sem imposições, deixando a cada um decidir por si. No final de contas, o teatro trabalha com o ser, para desentranhá-lo e mostrar como, através de um tal meio, ainda é possível aspirar a uma comunicação humana.