Colombiano Álvaro Mutis homenageado no CCB

Etiquetas: , , , , , , , , ,
___________________________________________________________________________________

O Centro Cultural de Belém foi anteontem o cenário escolhido para uma homenagem ao poeta colombiano Álvaro Mutis, um mês após a sua morte. Organizado pela Casa da América Latina, o Centro Cultural de Belém e a Embaixada da Colômbia em Portugal, o evento juntou em homenagem a Mutis o Presidente do CCB, Vasco Graça Moura, o Embaixador colombiano, Germán Santamaría Barragán, o Director do Instituto Cervantes, José María Valenzuela, e o poeta e tradutor Nuno Júdice.

Vasco Graça Moura começou por considerar 2012 e 2013 anos fundamentais nas relações culturais entre Portugal e a Colômbia, em particular devido à Feira do Livro de Bogotá (FILBo) dedicada à literatura portuguesa, ao lançamento da antologia Um país que sonha: Cem anos de poesia colombiana e da antologia poética de Álvaro Mutis, Os versos do navegante: antologia poética, pela Assírio & Alvim.

O Presidente do CCB definiu o principal personagem de Mutis – Maqroll, o gajeiro – como “alguém que percorre o mundo” com um forte “sentido do exílio” e a consciência da finitude humana. Cada experiência de Maqroll, assim como cada poema de Mutis, é “um longo passo para a morte”, referiu Vasco Graça Moura citando o poeta.

“Maqroll é de certa forma um português”

Nome maior da literatura latino-americana, Mutis foi de acordo com o Embaixador importante em particular pela influência na sua obra exercida pelo clima tropical e a sua “natureza brutal”. Germán Santamaría Barragán lembrou a triste coincidência de ter sido lançada a antologia de Mutis como modo de festejar os seus 90 anos e, meses depois, este ter falecido.

O Embaixador notou ainda que há na obra de Mutis “algo da saudade e da desesperança que são atribuídos aos portugueses”, em especial a Fernando Pessoa. “Maqroll é de certa forma um português, que quer fazer da derrota uma vitória e da morte uma vida”, concretizou.

O Director do Instituto Cervantes lembrou as raízes espanholas de Mutis, que se terá dito certo de que os seus antepassados sentiriam regozijo pelo Prémio Cervantes que recebeu em 2001. Falando de Maqroll, Valenzuela recordou que o trabalho de um gajeiro é colocar-se na gávea do navio e anunciar à tripulação o importante de entre o avistado. É normalmente um “trabalho para um jovem, com boa vista”, mas é também “solitário”.

Lauren Mendinueta lembrada

O último interveniente da tarde, Nuno Júdice, falou também do peso do “clima opressivo” tropical na obra de Mutis e deu conta do papel fundamental da poetisa Lauren Mendinueta, sua colaboradora na tradução da antologia, sobretudo nos textos repletos de descrições daquele clima.

Na abertura da homenagem, a moderadora Maria Xavier, programadora cultural da CAL, havia lembrado Mendinueta, ausente na cerimónia, por “tudo o que tem feito pela poesia colombiana e pela literatura latino-americana em Portugal”. Mendinueta que, no prólogo da antologia, considera que Mutis teve “a certeza de ser pouco mais do que um ser solitário perante forças descomunais”.

A sessão terminou com a leitura de poemas e excerto de prosa de Mutis. Para além de Nuno Júdice, leram da obra de Mutis os editores Manuel Alberto Valente e Vasco David, o poeta e Embaixador Luís Filipe Castro Mendes, o poeta e Comissário do Plano Nacional de Leitura Fernando Pinto do Amaral, a Conselheira Cultural da Embaixada da Colômbia, Carla Tarditi, o poeta e professor Marco Bruno e a artista plástica Andrea Valencia.