A AtralCipan e o mercado farmacêutico

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[Texto de Carlos Novais Araújo, International Business Director da AtralCipan, para a CAL Economia de Outubro de 2013]

Fundados em 1947, os Laboratórios Atral incluem até hoje, e desde 1949, os genes da Internacionalização no seu ADN. Foi pois com naturalidade que, a par da fundação da Cipan, em 1963, e da sua aprovação pela FDA, o comendador Sebastião Alves, que a dirigia, realizou em 1965 uma joint-venture com investidores peruanos e criou os Laboratórios Atral del Peru.

Muita mudou entretanto em ambos os países, mas estes continuam a guiar os nossos passos e determinaram também a realização de processos de transferência de tecnologia para Espanha, Finlândia, Brasil, Egipto, Iraque, Índia, Irão e, actualmente em curso, Venezuela.

Hoje, a AtralCipan é o grupo químico-farmacêutico português que integra o desenvolvimento e produção de princípios farmacêuticos activos (matérias-primas) com o desenvolvimento e produção de medicamentos, facturando 42 milhões de euros e empregando 338 colaboradores.

A Cipan, líder mundial na área das tetraciclinas, exporta 99% dos produtos e serviços de alto valor acrescentado para mercados como Estados Unidos, Europa, Canadá, Argentina, México ou Israel. A Atral, referencia em Portugal na área das penicilinas e dos antibióticos em geral, exporta 35% das suas produções para mercados tão variados como o Peru ou Vietnam, Israel ou Angola, Venezuela ou Azerbaijão.

A filial de AtralCipan no Peru, Pharbal, resultou do desinvestimento dos accionistas locais na actividade industrial, decorrente da difícil década de 80 que o país atravessou, mas também da forte convicção da AtralCipan de que deveria manter raízes na América do Sul.

Por isso, neste novo milénio a empresa foi relançada, tendo hoje uma facturação de 4 milhões de dólares e um staff de 22 pessoas, das quais apenas um expatriado e algumas características que podem ser relevantes, como factores críticos de sucesso, para empresas de outros sectores:

– 90% dos recursos humanos da Pharbal tem formação superior (no nosso caso nas áreas da Saúde, preferencialmente);
– a organização da filial peruana está focada exclusivamente no negócio, pelo que terceirizamos tudo o que não faz parte do processo central de negócio;
– o Controlo de Gestão e a Gestão Financeira são geridos desde Portugal;
– 100% da actividade e investimentos da Pharbal são financiados por instituições bancárias peruanas;
– os relatórios e contas mensais saem ao quinto dia útil do mês seguinte;
– ao nível regulamentar, pugnamos pelo alinhamento do Peru com a legislação dos países de referência mundial (Europa e Estados Unidos);
– com a colaboração de um escritor e jornalista a residir no Peru, os nossos recursos humanos estão a aprender português (pré-acordo ortográfico);
– a missão da Pharbal é construir marcas, a melhor garantia de valor futuro e por isso cobre 100% do território, mesmo zonas que hoje não são rentáveis;
– adaptamo-nos às regras do mercado e não abdicamos dos nossos princípios e valores;
– depois de ter atingido uma dimensão critica, exclusivamente com a gama de produtos AtralCipan, estamos a levar outras empresas farmacêuticas para o Peru;
– um grande erro: ter deixado que um produto chegasse a representar 60% do volume de negócios (hoje representa 40% e a descer);
– um grande acerto: não trabalhar com o maior distribuidor do país (era grande a tentação), porque nos exigiria exclusividade.