Luis Sepúlveda na Feira do Livro de Lisboa

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[in Lusa/Sol] Os editores portugueses apostam na Feira do Livro de Lisboa, que abre na quinta-feira, apontando-a, alguns, como “operação de charme”, alertando outros para a falta de apoio ao livro.

O certame terá este ano mais autores, haverá uma maior atenção ao público infanto-juvenil, relativamente ao ano passado, e é esperada “uma excelente Feira do Livro”, em termos de vendas, como disse à Lusa Paulo Gonçalves, do Grupo Porto Editora.

Este grupo, que inclui chancelas como a Porto Editora, Círculo de Leitores e Bertrand Editora, chama a atenção para a falta de apoio ao livro que é, “de todas as indústrias culturais”, aquela que “é de longe a menos apoiada” e, neste universo, “a que mais contribui para a riqueza do país”.

A Booksmile, que traz à feira Janey Louise Jones, a autora da “Princesa Poppy”, irá ter “muitas promoções como ‘leve 2 pague 1’ ou ‘leve 3 e pague 2’”, disse à Lusa fonte da editora.

Esta editora conta “claramente, vender mais”, e refere que uma das suas chancelas, a 20I20, é actualmente “a sexta editora mais bem sucedida em Portugal, com vendas de quatro milhões de euros”.

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) conta “vender mais”, sendo um dos seus dois pavilhões, “inteiramente dedicado à venda de livros com mais de 18 meses e a preços mais baixos”.

“Esta vai ser a primeira feira do livro onde o público vai conhecer ‘uma nova editora jurídica: a INCM’, ou seja a nossa colecção jurídica terá, em primeira mão, uma visibilidade alargada”, disse a mesma fonte à Lusa.

Fonte das Publicações Europa-América (PEA) disse à Lusa que, “face à crise, à retracção do mercado e à política de grande parte das livrarias, que leva à falta de fundo editorial nos seus espaços”, esta editora “tem a perspectiva e a expectativa de vender mais”.

Para as PEA, “a Feira continua a ser um sítio privilegiado para os editores mostrarem todo o seu catálogo e, por alguma razão, se vêem centenas de leitores com listas de livros tentando completar colecções”.

A responsável da editora Livros Horizonte, Cláudia Moura, por seu turno, disse à Lusa que se “adaptaram os preços de todos os livros à definhada bolsa dos leitores, tentando diminuir ao máximo as dificuldades por que passa quem continua a querer ler”.

“Muitos e muitos livros ao preço da chuva, o que inclui até ofertas de livros”, rematou a responsável.

Quanto a actividades, no total estão programadas mais de 600, da próxima quinta-feira até 10 de Junho, quando a Feira encerrar.

O Grupo Porto Editora, entre as diversas iniciativas, vai homenagear Aquilino Ribeiro, escritor editado pela Bertrand, que faleceu há 50 anos, e conta com a presença de mais autores do que no ano passado, entre os quais se contam Francisco José Viegas, Luis Sepúlveda, Teolinda Gersão, Almeida Faria, Enrique Vila-Matas e José Eduardo Agualusa.

Também as Edições Paulinas terão mais autores e acções para “todas as faixas etárias”. Entre os primeiros, estará presente Maria Teresa Maia Gonzalez, que entregará o Prémio Ilustração do concurso desta editora, aproveitando a Feira para apresentar a coleção “Espírito da Quinta”.

Esta editora considera que a feira “passou a ser uma operação de charme institucional”, cujo “principal dividendo é a promoção/comunicação”, apesar de reconhecer que “é lucrativa”.

O Grupo LeYa, que integra, entre outras, as Publicações D. Quixote, a Editorial Caminho, a Oficina do Livro e a Texto Editora, conta ter na Feira cerca de 100 autores, entre os quais o jornalista da Lusa António Caeiro, que publicou recentemente “Novas Coisas da China”.

Alguns autores participam em debates, entre eles Lídia Jorge, Miguel Real e Nuno Júdice, recentemente distinguido com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana.

Ao vencedor do Prémio Leya 2012, Nuno Camarneiro foi proposto programar um dos palcos da praça Leya, no próximo sábado. A escolha do autor de “Debaixo de Algum Céu” foi, entre outras, a cooperativa cultural conimbricense Bonifrates e a banda Pensão Flor, projecto musical também formado em Coimbra .

Para o público infanto-juvenil, José Menezes, da Leya, citou a iniciativa diária “Hora do Conto”, a realização de jogos em torno de personagens como Astérix ou os Smurfs, e a apresentação das peças infantis “A formiga Juju na cidade das papaias” e “Aventuras de Pinóquio”.

Este grupo editorial realiza também, na feira, a festa de entrega dos prémios do concurso “Uma aventura literária”, com a presença das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.