Mário Vilalva. Portugueses nunca tiveram apoio político para exercer diplomacia económica

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É embaixador do Brasil em Portugal há um ano, mas já tinha estado ao serviço da embaixada em Lisboa há 20 anos. Diz que as diferenças “são notórias”. Talvez porque a mais nova das suas quatro filhas é portuguesa, Mário Vilalva olha mais para o futuro que para o passado. E o futuro, vê-o com bons olhos. A visão de um país que já provou a receita que o FMI está a aplicar a Portugal e cuja economia cresce hoje a 4,5% ao ano.

Que comparação faz entre Portugal de 1991 e Portugal 20 anos depois?

O meu primeiro contacto com Portugal foi em 1980. Estava então na nossa embaixada em Washington, nos Estados Unidos, e vim a Lisboa para uma reunião multilateral.

E o que viu?

Não fiquei muito bem impressionado: encontrei um país muito deprimido, que não tinha claros os seus rumos, um país afectado por questões económicas. Estavam a ser desmontadas as antigas estruturas e as novas ainda não estavam suficientemente consolidadas.

Voltou em 1991 e ficou três anos…

Encontrei uma diferença brutal, da água para o vinho.

Em quê?

Em tudo! Era um país colorido, ao contrário do que tinha conhecido em 1980. A feição das pessoas era outra, havia outro ambiente no país, e a diferença foi muito impactante.

E agora?

Agora, vivendo novamente em Portugal, passados 20 anos, encontrei uma diferença maior ainda. Um país renovado, com uma estrutura excelente, com as cidades do Interior muito bem arranjadas e um outro sentido de vida, nas famílias, nas pessoas. Claro que o país está a atravessar uma crise financeira, mas não se trata de uma crise de bases. Consolidou-se, como membro da União Europeia e como parceiro internacional importante, fiável, actuante. E vai sair desta crise, depois do período de ajustamento, e tenho a certeza que sairá fortalecido.